Embocadura é um assunto geralmente cercado de mitos e mal-entendidos, por isso, algumas pessoas decidem não falar sobre, o que é (a meu ver) um erro. É nos lábios onde a produção do som ocorre nos instrumentos de metal, logo, é possível buscar melhora através de pesquisa sobre o que funciona melhor para você.
ATENÇÃO: embora eu nunca tenha conhecido alguém que tenha estragado suas chances profissionais por mudar de embocadura (pelo contrário, alguns dos melhores trompetistas que eu conheço passaram por várias mudanças em busca de melhora), eu não quero ser culpado pelo prejuízo de ninguém, portanto, muito, mas muuuuuuito cuidado no auto-diagnóstico. Sempre consulte algum professor sério para sanar suas dúvidas.
Pois bem, vamos olhar o que a literatura nos ensina.
Roger Webster - "Preparation Practice Performance"
Roger Webster divide a embocadura entre: parte interna, e parte externa. Segundo Webster, a parte interna consiste: 1- no ponto de contato entre o bocal e nossa face; 2- todas as partes contidas dentro dessa área. É na parte interna da embocadura onde ocorre a abertura e a vibração dos lábios, e é onde desenvolvemos a almofada -cushion- (estrutura responsável pela responsividade da vibração e proteção dos lábios).
A parte externa da embocadura se refere a todos os outros músculos da face.
(Parte interna da embocadura)
Webster ainda nos diz que "é necessário direcinar o maxímo de 'ar vibrado' (buzzed air) para dentro do instrumento quanto possível"; "O uso de espelho e visualizador é essencial para que o estudante possa monitorar a parte interna (abertura) e externa da embocadura (cantos da boca)"; "Deve-se dar importância no desenvolvimento de cantos da boca firmes, na relação entre os movimentos da embocadura e da língua, e em uma boa coluna de ar".
Philip Farkas - " The Art of French Horn Playing"
Na primeira parte do tema embocadura no seu método, Farkas diz que é extremamente difícil dizer exatamente a função dos lábios de um instrumentista de sopro na embocadura. Não existem duas embocaduras iguais no mundo, porém, devem haver vários aspectos básicos em comum entre as embocaduras que funcionam, e se aplicarmos esses aspectos em nós mesmos seremos capazes de desenvolver nossas diferenças individuais.
O primeiro desses aspéctos, é o quão esticados (sorriso) ou enrrugados (assovio) estão os lábios (segundo Farkas, o ideal é o equilíbrio entre as duas formas). O segundo aspécto é o posicionamento do bocal (a ser tratado adiante). O terceiro aspécto é sobre umidecer ou não os lábios para tocar (Farkas advoca na prática de umidecer). O quarto, é o formato da abertura dos lábios ( obtida pelo bom desenvolvimento do primeiro aspécto) O quinto, a pressão do bocal contra os lábios (que deve ser maior no lábio inferior, porém bem equilibrada).
"A embocadura, para os instrumentistas de metal, é a configuração dos lábios e músculos da face em uma determinada posilção que fará com que a vibração seja possível em várias velocidades e intesidades diferentes"
Louis Davidson - "Trumpet Techniques"
Davidson separa a parte dedicada a falar sobre a embocadura em seu método, em duas partes. Na primeira (chamada de "Tensão"), fala sobre a importância de se ter uma boa sensação nos lábios para a produção de um bom som, ao mesmo tempo, discorre sobre a importância de se encontrar o equilibrio da tensão dos lábios enquanto tocando. A segunda parte ("Pressão"), trata sobre a importância do equilíbrio entre não haver pressão, e haver pressão em um nível que danifica os lábios. Segundo Davidson, a quantidade certa de pressão e tensão labial, resulta em um som aberto, e uma ótima flexibilidade.
No próximo post, tratarei sobre a posição do bocal encontrada em diferentes literaturas.
Bons estudos ;)

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